Sua beleza é derramada como um vaso de barro o é antes de ir ao fogo.


Pelos pés.

Rasgaram as solas feito bichos de areia. Bichinhos malditos!

Desenharam suas trilhas feito rotas de trem por baixo de nossas peles.

Nossas, as peles! São nossas todas elas.

Fracas?

*

Com apenas um sopro dionisíaco esbarram aceleradamente umas nas outras espalhando as trilhas mil.

Estes malditos bichinhos de areia!

Sufocada escuto seus gemidos esbarrando nas minhas portas, janelas, vidraças...

Ferimento agora.

Rasgaram nossas línguas libidinosas.

Sim, os bichinhos comeram-nos até por dentro.

Os lábios, todos eles estão carcomidos em trilhas.

São tantas que não haverá material cartográfico bastante para mapeá-las!

*
Alguém grita de fora, lá de fora do mundo azul:

Faça nascer às tais flores nas solas, nos rasgos de trilhas de todos os pés.

Alguém de dentro pergunta:

Como?

Alguém de fora, lá de fora do mundo terra responde:

Derretam-se em encenações, mesmo tardias.
Quando as flores estiverem em broto serão tomados por uma náusea profana.
Em seguida o desejo molhará suas vísceras e dentre pouco choverá nas solas de todos os pés.

E

Todas as flores brotaram!

As trilhas continuaram mas repleta de cores, cheiros e sabores.

J.F.